2007/01/22

O destino de Esmeralda

Algo está errado na nossa Justiça:
O justo está na prisão ( por ter cumprido os deveres paternais do faltoso) e o prevaricador, que deveria ser punido pelo crime de abandono da parceira grávida, recebe uma indemnização por danos psicológicos inerentes do facto de ainda não «possuir a sua propriedade genética», a qual rejeitou até lhe ter sido imposta.
Quanto à criança, condenada por este tribunal «a trocar de pais como de camisa», irá ser retirada do carinho e amor daqueles com quem estabeleceu as suas mais fortes relações de afecto, para ser entregue, sem reservas, a um ilustre desconhecido que, para sua fatalidade, partilha os seus genes e não hesita estragar a sua felicidade e estabilidade emocional.
À pobre Esmeralda só resta rezar para não se converter em mais uma vítima de maus tractos, sobretudo, quando se revoltar e chorar a falta dos seus entes queridos, que no entanto, já não a poderão proteger, pois foram «devidamente neutralizados» pela nossa Justiça.
Para nós, sociedade civil, é mais um «dejá vu», porém desta vez, somos testemunhas antecipadas da incompetência de técnicos e de tribunais a proteger a criança. Será que ficaremos passivamente à espera de ver o desenrolar de mais um destino cruel? Ou vamos protestar e exigir que se faça justiça e que os direitos elementares das crianças sejam devidamente acautelados?!
Aquele que está preso não é um criminoso mas sim um «pai herói» cujo único crime foi trocar a sua liberdade pela protecção de uma criança, para que esta não se tornasse na próxima vítima de um sistema judicial que a não protege nem defende os seus direitos. Se pudessem voltar atrás, talvez outros «pais «adoptivos» fizessem o mesmo, para não terem de chorar a Vanessa, ou o Edgar, ou muitos outros que não chegam às páginas dos nossos jornais.

Ana M

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