Quando passo na rua e observo os cartazes da campanha do NÃO, com o argumento de ir salvar vidas, faz-me perguntar:
- Quantas vidas julgam que irão salvar? ( se é que acreditam, de facto, que irão salvar alguma vida!)
- a única consequência vital do voto NÃO é a morte, a morte das mulheres e crianças vítimas de abortos realizados em condições desumanas.
- Pois com incriminação ou sem ela, as mulheres que, por alguma razão, estão determinadas a interromper a gravidez, irão fazê-lo de qualquer forma, mesmo que arrisquem ser presas, mesmo que arrisquem a vida.
- Se o NÃO ganhar, a única consequência prática é o conforto psicológico de alguns, por continuarmos a viver num país com «moralidade» acima da média europeia, onde mulheres vão a tribunal por terem interrompido voluntariamente a sua gravidez, mas também, num país onde mulheres jovens ficam inférteis ou morrem, devido ao aborto clandestino (tal como nos países subdesenvolvidos).
- Com o NÃO continuaremos no eterno ciclo vicioso: Más condições de vida/ falta de informação = aborto clandestino e suas consequências/ mulheres de parteira em parteira, de aborto em aborto, sem qualquer esclarecimento = custos hospitalares das consequências do aborto clandestino, morbilidade, infertilidade, mortalidade/ crianças abandonadas e maltratadas, por vezes, mortas = aumento da delinquência e da criminalidade / más condições de vida / falta de informação / mau desenvolvimento sócio-económico = aumento do aborto clandestino/ diminuição da taxa de natalidade, etc, etc, etc....
Pelo contrário, se o SIM ganhar, ganha a Vida, não falo, apenas, da vida das mulheres e adolescentes que recorram à IVG (interrupção voluntária da gravidez ou, aborto na linguagem do povo), mas também, pelas IVG / abortos que se podem evitar.
Vejamos o exemplo prático da Alemanha e de outros países desenvolvidos, onde a taxa de abortos tem vindo a descer:
- A mulher ou adolescente que pretende fazer a IVG é avaliada, previamente, em consulta com médico e psicólogo, onde são avaliadas as causas daquela gravidez indesejada e as razões de querer interrompê-la, e onde, também, são dadas alternativas e outras resoluções práticas para o problema em causa. A mulher, o casal ou a família, têm 3 dias para ponderar a sua decisão. Nalguns casos, são aceites as alternativas e desistem da IVG. Nos casos em que a decisão de realizar a IVG é irredutível, esta acontecerá em condições de segurança, com técnicos especializados, por vezes, com um medicamento, dispensando qualquer intervenção invasiva. Em ambas as situações, estas mulheres ou estes casais são, automaticamente, encaminhados para consultas de planeamento familiar, onde cada caso é estudado e tratado, de forma a evitar futuros abortos ou gravidezes indesejadas.
Exemplos:
- Um casal que tem vários filhos e não pretende ou não tem meios de aceitar mais um elemento na família, mas a mulher não pode usar a pílula ou alguns dos métodos mais seguros, devido a ter hipertensão arterial ou outros problemas de saúde, é proposta a laqueação de trompas ou a vasectomia (marido).
- Uma adolescente que iniciou prematuramente, a sua vida sexual, mas não está preparada para ser mãe, é-lhe receitada a pílula contraceptiva e é devidamente informada acerca do seu uso e a forma de evitar as suas falhas.
- A mulher que deseja ter filhos mas não tem condições sócio-económicas para tal, é encaminhada para uma assistente social de forma a encontrar-se alternativas viáveis para os seus problemas e poder, assim, realizar-se como mãe, sem ter de abandonar ou dar os seus filhos.
É por terem optado por uma estratégia inteligente e racional em relação à IVG, que estes países estão a diminuir, progressivamente, a sua taxa de aborto e até, ultimamente, a aumentar a sua taxa de natalidade, pois conseguiram sair do mórbido ciclo vicioso do aborto clandestino e iniciar os passos fundamentais para um melhor desenvolvimento sócio-económico, em que há mais gravidezes planeadas, menos crianças abandonadas, melhor qualidade de vida.
Resta perguntar aos portugueses se preferem continuar «orgulhosamente sós» com a sua vergonhosa taxa de aborto clandestino e mulheres mortas na sequência deste, ou apanhar «o comboio do desenvolvimento», unindo-se aqueles que estão melhores que nós, para acompanharmos a sua evolução?!
Queremos continuar reféns de doutrinas religiosas, dogmas éticos e falsos moralismos, mantendo a aparência de sermos superiores aos outros, mas, na realidade, só ganharmos os primeiros lugares nos maus tractos infantis, na mortalidade materna e infantil, e na prisão de mulheres?!
Pensemos no país que vamos deixar aos nossos filhos. Votemos, convictamente, SIM, pela vida, pela saúde, pela evolução, pelo amor ao próximo!
Nota esclarecedora, em relação a alguns argumentos pouco racionais, mas capazes de iludir os mais incautos: Só pode agradecer por ter nascido quem, efectivamente, nasceu (e que não foi mal tratado pela vida). Aqueles que não nasceram porque foram abortados pela mãe ou pela natureza, não podem ter pena de não ter nascido ou qualquer outro sentimento, pelo simples facto de não terem nascido. Infelizmente, também é necessário elucidar as pessoas que um feto de 10 semanas não sofre, nem elabora qualquer tipo de pergunta ou pensamento, pela simples razão de, nesta fase do desenvolvimento embrionário, não existirem as funções neurológicas que permitam tal
facto.
Ana F. Matos
Médica Cardiologista
*Mãe de duas muito amadas filhas e com a dramática experiência de ver chegar aos hospitais, mulheres e adolescentes aterrorizadas, com receio de serem denunciadas por aqueles que as deveriam tratar e salvar sua humana vida. Por vezes, chegam tarde demais!
2007/02/05
2007/02/01
Direito a ter direitos
Mais importante do que avaliar culpas e castigos, pois há muitos culpados neste processo: desde a má informação e encaminhamento da segurança social, a decisões judiciais que, tanto agora como em 2004, foram desumanas e insensíveis, pois, em nada acautelaram os genuínos interesses da criança; é necessário mostrar, pela primeira vez, algum respeito e preocupação por Esmeralda, deixando de tratá-la como mero objecto da posse de alguém, prémio que se entrega ao melhor cumpridor, ou arma de castigo para quem não obedeceu às regras.
Esta menina não cometeu nenhum crime e os Srs. Magistrados têm o dever de acautelar os seus direitos, que não se limitam a viver com seu «material genético», mas sim a amar e ser amada (algo que não se codifica nos genes), a ter estabilidade emocional e, sobretudo, a manter os seus vínculos afectivos, tão determinantes para a formação da personalidade do indivíduo. Destruir estes vínculos, mesmo faseadamente, é destruir um ser humano no seu mais profundo íntimo, é destruir uma vida. É um crime executado pela justiça e permitido pela sociedade.
Já que, neste processo, tudo começou e continuou da maneira errada, os Srs. Magistrados do Tribunal Constitucional teriam agora, a oportunidade de, repor a justiça, anulando todas as anteriores decisões e reiniciando o processo desde o seu início, mas, desta vez, com o bom senso de pôr a criança como prioridade, deixando-a ficar na paz dos seus, que os malogrados testes de ADN lhe tiraram. Fazendo, também, entender aos pais biológicos que, tal como a criança teve de esperar pelo seu interesse, que não foi quando mais precisou, eles também deverão esperar que cresça e seja ela a decidir com quem quer viver. Caso contrário, será melhor que lhe providenciem psiquiatras e psicólogos, não só para agora, mas para o resto da vida.
É importante que, quando decidem sobre estes sensíveis casos, os Srs. Drs. Juízes tenham em conta que:
-O amor paterno não está codificado nos genes.
-O maior interesse de uma criança não é viver junto dos seus cromossomas, mas sim viver com quem ama e por quem é amada, independentemente da biologia.
- A personalidade de um ser humano forma-se nos primeiros 3 anos de vida, e é determinada, sobretudo, pelos seus primeiros vínculos afectivos, que são também os mais fortes e tendem a manter-se para o resto da vida. Quebrar estes vínculos aos 2,5 anos ou aos 5 anos, é destruir o afecto, a estabilidade emocional e os alicerces da personalidade, resumindo, é destruir uma vida, é comprometer um futuro. Muitas destas crianças tornam-se agressivas e revoltadas e, mais tarde, adultos violentos, desprovidos de afecto e com dificuldades de relacionamento.
Quem tem os devidos conhecimentos ou algum poder na justiça do nosso país, deveria tudo fazer para alterar tal atitude face ás crianças. Será que queremos mais Vanessas, mais Edgarzinhos, ou outros tantos, vítimas de erros judiciais tão semelhantes a estes?
Esta lei e mentalidade jurídica que põe os interesses biológicos dos adultos acima dos elementares direitos das crianças, deveria ser alterada, de forma a evitar ter eternos inadoptáveis, com seus destinos suspensos e totalmente «reféns» de seus «proprietários genéticos». A nossa sociedade será o produto do que fizermos ou deixarmos fazer a estas crianças.
Ana Matos
Esta menina não cometeu nenhum crime e os Srs. Magistrados têm o dever de acautelar os seus direitos, que não se limitam a viver com seu «material genético», mas sim a amar e ser amada (algo que não se codifica nos genes), a ter estabilidade emocional e, sobretudo, a manter os seus vínculos afectivos, tão determinantes para a formação da personalidade do indivíduo. Destruir estes vínculos, mesmo faseadamente, é destruir um ser humano no seu mais profundo íntimo, é destruir uma vida. É um crime executado pela justiça e permitido pela sociedade.
Já que, neste processo, tudo começou e continuou da maneira errada, os Srs. Magistrados do Tribunal Constitucional teriam agora, a oportunidade de, repor a justiça, anulando todas as anteriores decisões e reiniciando o processo desde o seu início, mas, desta vez, com o bom senso de pôr a criança como prioridade, deixando-a ficar na paz dos seus, que os malogrados testes de ADN lhe tiraram. Fazendo, também, entender aos pais biológicos que, tal como a criança teve de esperar pelo seu interesse, que não foi quando mais precisou, eles também deverão esperar que cresça e seja ela a decidir com quem quer viver. Caso contrário, será melhor que lhe providenciem psiquiatras e psicólogos, não só para agora, mas para o resto da vida.
É importante que, quando decidem sobre estes sensíveis casos, os Srs. Drs. Juízes tenham em conta que:
-O amor paterno não está codificado nos genes.
-O maior interesse de uma criança não é viver junto dos seus cromossomas, mas sim viver com quem ama e por quem é amada, independentemente da biologia.
- A personalidade de um ser humano forma-se nos primeiros 3 anos de vida, e é determinada, sobretudo, pelos seus primeiros vínculos afectivos, que são também os mais fortes e tendem a manter-se para o resto da vida. Quebrar estes vínculos aos 2,5 anos ou aos 5 anos, é destruir o afecto, a estabilidade emocional e os alicerces da personalidade, resumindo, é destruir uma vida, é comprometer um futuro. Muitas destas crianças tornam-se agressivas e revoltadas e, mais tarde, adultos violentos, desprovidos de afecto e com dificuldades de relacionamento.
Quem tem os devidos conhecimentos ou algum poder na justiça do nosso país, deveria tudo fazer para alterar tal atitude face ás crianças. Será que queremos mais Vanessas, mais Edgarzinhos, ou outros tantos, vítimas de erros judiciais tão semelhantes a estes?
Esta lei e mentalidade jurídica que põe os interesses biológicos dos adultos acima dos elementares direitos das crianças, deveria ser alterada, de forma a evitar ter eternos inadoptáveis, com seus destinos suspensos e totalmente «reféns» de seus «proprietários genéticos». A nossa sociedade será o produto do que fizermos ou deixarmos fazer a estas crianças.
Ana Matos
Direito a ter direitos
Mais importante do que avaliar culpas e castigos, pois há muitos culpados neste processo: desde a má informação e encaminhamento da segurança social, a decisões judiciais que, tanto agora como em 2004, foram desumanas e insensíveis, pois, em nada acautelaram os genuínos interesses da criança; é necessário mostrar, pela primeira vez, algum respeito e preocupação por Esmeralda, deixando de tratá-la como mero objecto da posse de alguém, prémio que se entrega ao melhor cumpridor, ou arma de castigo para quem não obedeceu às regras.
Esta menina não cometeu nenhum crime e os Srs. Magistrados têm o dever de acautelar os seus direitos, que não se limitam a viver com seu «material genético», mas sim a amar e ser amada (algo que não se codifica nos genes), a ter estabilidade emocional e, sobretudo, a manter os seus vínculos afectivos, tão determinantes para a formação da personalidade do indivíduo. Destruir estes vínculos, mesmo faseadamente, é destruir um ser humano no seu mais profundo íntimo, é destruir uma vida. É um crime executado pela justiça e permitido pela sociedade.
Já que, neste processo, tudo começou e continuou da maneira errada, os Srs. Magistrados do Tribunal Constitucional teriam agora, a oportunidade de, repor a justiça, anulando todas as anteriores decisões e reiniciando o processo desde o seu início, mas, desta vez, com o bom senso de pôr a criança como prioridade, deixando-a ficar na paz dos seus, que os malogrados testes de ADN lhe tiraram. Fazendo, também, entender aos pais biológicos que, tal como a criança teve de esperar pelo seu interesse, que não foi quando mais precisou, eles também deverão esperar que cresça e seja ela a decidir com quem quer viver. Caso contrário, será melhor que lhe providenciem psiquiatras e psicólogos, não só para agora, mas para o resto da vida.
É importante que, quando decidem sobre estes sensíveis casos, os Srs. Drs. Juízes tenham em conta que:
-O amor paterno não está codificado nos genes.
-O maior interesse de uma criança não é viver junto dos seus cromossomas, mas sim viver com quem ama e por quem é amada, independentemente da biologia.
- A personalidade de um ser humano forma-se nos primeiros 3 anos de vida, e é determinada, sobretudo, pelos seus primeiros vínculos afectivos, que são também os mais fortes e tendem a manter-se para o resto da vida. Quebrar estes vínculos aos 2,5 anos ou aos 5 anos, é destruir o afecto, a estabilidade emocional e os alicerces da personalidade, resumindo, é destruir uma vida, é comprometer um futuro. Muitas destas crianças tornam-se agressivas e revoltadas e, mais tarde, adultos violentos, desprovidos de afecto e com dificuldades de relacionamento.
Quem tem os devidos conhecimentos ou algum poder na justiça do nosso país, deveria tudo fazer para alterar tal atitude face ás crianças. Será que queremos mais Vanessas, mais Edgarzinhos, ou outros tantos, vítimas de erros judiciais tão semelhantes a estes?
Esta lei e mentalidade jurídica que põe os interesses biológicos dos adultos acima dos elementares direitos das crianças, deveria ser alterada, de forma a evitar ter eternos inadoptáveis, com seus destinos suspensos e totalmente «reféns» de seus «proprietários genéticos». A nossa sociedade será o produto do que fizermos ou deixarmos fazer a estas crianças.
Ana Matos
Esta menina não cometeu nenhum crime e os Srs. Magistrados têm o dever de acautelar os seus direitos, que não se limitam a viver com seu «material genético», mas sim a amar e ser amada (algo que não se codifica nos genes), a ter estabilidade emocional e, sobretudo, a manter os seus vínculos afectivos, tão determinantes para a formação da personalidade do indivíduo. Destruir estes vínculos, mesmo faseadamente, é destruir um ser humano no seu mais profundo íntimo, é destruir uma vida. É um crime executado pela justiça e permitido pela sociedade.
Já que, neste processo, tudo começou e continuou da maneira errada, os Srs. Magistrados do Tribunal Constitucional teriam agora, a oportunidade de, repor a justiça, anulando todas as anteriores decisões e reiniciando o processo desde o seu início, mas, desta vez, com o bom senso de pôr a criança como prioridade, deixando-a ficar na paz dos seus, que os malogrados testes de ADN lhe tiraram. Fazendo, também, entender aos pais biológicos que, tal como a criança teve de esperar pelo seu interesse, que não foi quando mais precisou, eles também deverão esperar que cresça e seja ela a decidir com quem quer viver. Caso contrário, será melhor que lhe providenciem psiquiatras e psicólogos, não só para agora, mas para o resto da vida.
É importante que, quando decidem sobre estes sensíveis casos, os Srs. Drs. Juízes tenham em conta que:
-O amor paterno não está codificado nos genes.
-O maior interesse de uma criança não é viver junto dos seus cromossomas, mas sim viver com quem ama e por quem é amada, independentemente da biologia.
- A personalidade de um ser humano forma-se nos primeiros 3 anos de vida, e é determinada, sobretudo, pelos seus primeiros vínculos afectivos, que são também os mais fortes e tendem a manter-se para o resto da vida. Quebrar estes vínculos aos 2,5 anos ou aos 5 anos, é destruir o afecto, a estabilidade emocional e os alicerces da personalidade, resumindo, é destruir uma vida, é comprometer um futuro. Muitas destas crianças tornam-se agressivas e revoltadas e, mais tarde, adultos violentos, desprovidos de afecto e com dificuldades de relacionamento.
Quem tem os devidos conhecimentos ou algum poder na justiça do nosso país, deveria tudo fazer para alterar tal atitude face ás crianças. Será que queremos mais Vanessas, mais Edgarzinhos, ou outros tantos, vítimas de erros judiciais tão semelhantes a estes?
Esta lei e mentalidade jurídica que põe os interesses biológicos dos adultos acima dos elementares direitos das crianças, deveria ser alterada, de forma a evitar ter eternos inadoptáveis, com seus destinos suspensos e totalmente «reféns» de seus «proprietários genéticos». A nossa sociedade será o produto do que fizermos ou deixarmos fazer a estas crianças.
Ana Matos
2007/01/27
Esmeralda e o Direito
A história de Esmeralda tem corrido os jornais, os Blogs, alguns encontros televisivos, mas continua extraordináriamente centrada nos outros intervenientes da história, suas culpas, seus incumprimentos, seus direitos, etc. Cada um dá a sua opinião, mas a principal visada surge, frequentemente, como um objecto desprovido de voz, de opinião, de vontade própria, e de direitos.
E. limita-se, apenas, a ser o direito de posse de alguém, daquele que tem mais direitos sobre ela, daquele que se portou melhor, daquele que melhor cumpriu a lei, daquele que possui o seu código genético, enfim, estas têm sido as preocupações da justiça e são, agora, as preocupações da sociedade.
Então, e a Esmeralda? Não tem direito a escolher? Não tem direito a amar e ser amada, doa a quem doer? É obrigada a mudar de lar ao fim de 5 anos, para satisfazer a autoridade de uma decisão judicial injusta, que já em 2004 a penalizara e não tinha tido em conta os seus direitos ou interesses? Tal como em 2004, garantem-lhe apoio psicológico e psiquiátrico para suportar semelhante trauma e crueldade, que deixará marcas para o resto da vida, pois vai desvinculá-la dos seus mais fortes e primeiros afectos, que são a base para a personalidade do futuro adulto. Dizem que irá ser entregue ao seu «proprietário genético» de forma faseada, com os tais apoios da psique, e ficam muito descansados, pois, desse modo ela terá mais condições para se adaptar, progressivamente, à mudança de uma vida estável e felíz para um futuro incerto e traumático. Terá um psicólogo quando chorar de saudade, ou quando esperniar de revolta, ou quando deixar de ter aproveitamento escolar, etc. O melhor será garantirem-lhe um psiquiatra para o resto da vida, pois bem irá precisar!
Estraga-se, assim, uma vida que poderia ter um futuro felíz, para satisfazer um caprichoso desejo biológico, fazer cumprir uma Lei caduca, injusta e insensível, que tantas crianças tem condenado, e para castigar alguém de um crime que não se sabe bem avaliar.
Se houvesse vontade real de proteger esta criança, O Tribunal Constitucional analisava devidamente a decisão do Tribunal de Torres Novas de 2004 e não teria dificuldades em encontrar os erros e falhas que levaram a decidir em detrimento dos direitos de Esmeralda, avaliava os recursos que tem pendentes há 2 anos, e decidia, por fim, a favor da criança e dos seus mais elementares direitos, crescer em paz e amor, estabilidade emoccional, manutenção dos vinculos afectivos, etc.
E. limita-se, apenas, a ser o direito de posse de alguém, daquele que tem mais direitos sobre ela, daquele que se portou melhor, daquele que melhor cumpriu a lei, daquele que possui o seu código genético, enfim, estas têm sido as preocupações da justiça e são, agora, as preocupações da sociedade.
Então, e a Esmeralda? Não tem direito a escolher? Não tem direito a amar e ser amada, doa a quem doer? É obrigada a mudar de lar ao fim de 5 anos, para satisfazer a autoridade de uma decisão judicial injusta, que já em 2004 a penalizara e não tinha tido em conta os seus direitos ou interesses? Tal como em 2004, garantem-lhe apoio psicológico e psiquiátrico para suportar semelhante trauma e crueldade, que deixará marcas para o resto da vida, pois vai desvinculá-la dos seus mais fortes e primeiros afectos, que são a base para a personalidade do futuro adulto. Dizem que irá ser entregue ao seu «proprietário genético» de forma faseada, com os tais apoios da psique, e ficam muito descansados, pois, desse modo ela terá mais condições para se adaptar, progressivamente, à mudança de uma vida estável e felíz para um futuro incerto e traumático. Terá um psicólogo quando chorar de saudade, ou quando esperniar de revolta, ou quando deixar de ter aproveitamento escolar, etc. O melhor será garantirem-lhe um psiquiatra para o resto da vida, pois bem irá precisar!
Estraga-se, assim, uma vida que poderia ter um futuro felíz, para satisfazer um caprichoso desejo biológico, fazer cumprir uma Lei caduca, injusta e insensível, que tantas crianças tem condenado, e para castigar alguém de um crime que não se sabe bem avaliar.
Se houvesse vontade real de proteger esta criança, O Tribunal Constitucional analisava devidamente a decisão do Tribunal de Torres Novas de 2004 e não teria dificuldades em encontrar os erros e falhas que levaram a decidir em detrimento dos direitos de Esmeralda, avaliava os recursos que tem pendentes há 2 anos, e decidia, por fim, a favor da criança e dos seus mais elementares direitos, crescer em paz e amor, estabilidade emoccional, manutenção dos vinculos afectivos, etc.
2007/01/22
A Justiça e os direitos da criança
Quando os Tribunais decidem sobre o destino de uma criança, deveriam, acima de tudo, questionar-se sobre o que é mais importante para a sua felicidade: O carinho e o amor, ou o código genético dos pais? Só assim estarão a proteger, eficazmente, a criança e a evitar que se repitam outras tragédias, que tão frequentemente sucedem no nosso país. Se o problema está na legislação, que atribui aos pais biológicos todos os direitos sobre a criança, apesar da sua incompetência como pais, então, que o Governo, a Assembleia e o Presidente da República mudem a legislação, e elaborem leis que protejam as nossas crianças de verdadeiros «carrascos genéticos».
Os direitos dos irresponsáveis
O Sr. Baltazar Nunes, pai biológico da criança que rejeitou à nascença, teve direito a uma indemnização por danos psicológicos, atribuída pelo Tribunal de Torres Novas. Mas danos psicológicos de quê? De não ter conseguido obrigar a sua antiga parceira a abortar? De ter sido forçado, pelo tribunal, a perfilhar a criança? Ou por não ter ainda conseguido estragar a felicidade e estabilidade emocional da filha que não quis, mas que é sua propriedade genética?!
O destino de Esmeralda
Algo está errado na nossa Justiça:
O justo está na prisão ( por ter cumprido os deveres paternais do faltoso) e o prevaricador, que deveria ser punido pelo crime de abandono da parceira grávida, recebe uma indemnização por danos psicológicos inerentes do facto de ainda não «possuir a sua propriedade genética», a qual rejeitou até lhe ter sido imposta.
Quanto à criança, condenada por este tribunal «a trocar de pais como de camisa», irá ser retirada do carinho e amor daqueles com quem estabeleceu as suas mais fortes relações de afecto, para ser entregue, sem reservas, a um ilustre desconhecido que, para sua fatalidade, partilha os seus genes e não hesita estragar a sua felicidade e estabilidade emocional.
À pobre Esmeralda só resta rezar para não se converter em mais uma vítima de maus tractos, sobretudo, quando se revoltar e chorar a falta dos seus entes queridos, que no entanto, já não a poderão proteger, pois foram «devidamente neutralizados» pela nossa Justiça.
Para nós, sociedade civil, é mais um «dejá vu», porém desta vez, somos testemunhas antecipadas da incompetência de técnicos e de tribunais a proteger a criança. Será que ficaremos passivamente à espera de ver o desenrolar de mais um destino cruel? Ou vamos protestar e exigir que se faça justiça e que os direitos elementares das crianças sejam devidamente acautelados?!
Aquele que está preso não é um criminoso mas sim um «pai herói» cujo único crime foi trocar a sua liberdade pela protecção de uma criança, para que esta não se tornasse na próxima vítima de um sistema judicial que a não protege nem defende os seus direitos. Se pudessem voltar atrás, talvez outros «pais «adoptivos» fizessem o mesmo, para não terem de chorar a Vanessa, ou o Edgar, ou muitos outros que não chegam às páginas dos nossos jornais.
Ana M
O justo está na prisão ( por ter cumprido os deveres paternais do faltoso) e o prevaricador, que deveria ser punido pelo crime de abandono da parceira grávida, recebe uma indemnização por danos psicológicos inerentes do facto de ainda não «possuir a sua propriedade genética», a qual rejeitou até lhe ter sido imposta.
Quanto à criança, condenada por este tribunal «a trocar de pais como de camisa», irá ser retirada do carinho e amor daqueles com quem estabeleceu as suas mais fortes relações de afecto, para ser entregue, sem reservas, a um ilustre desconhecido que, para sua fatalidade, partilha os seus genes e não hesita estragar a sua felicidade e estabilidade emocional.
À pobre Esmeralda só resta rezar para não se converter em mais uma vítima de maus tractos, sobretudo, quando se revoltar e chorar a falta dos seus entes queridos, que no entanto, já não a poderão proteger, pois foram «devidamente neutralizados» pela nossa Justiça.
Para nós, sociedade civil, é mais um «dejá vu», porém desta vez, somos testemunhas antecipadas da incompetência de técnicos e de tribunais a proteger a criança. Será que ficaremos passivamente à espera de ver o desenrolar de mais um destino cruel? Ou vamos protestar e exigir que se faça justiça e que os direitos elementares das crianças sejam devidamente acautelados?!
Aquele que está preso não é um criminoso mas sim um «pai herói» cujo único crime foi trocar a sua liberdade pela protecção de uma criança, para que esta não se tornasse na próxima vítima de um sistema judicial que a não protege nem defende os seus direitos. Se pudessem voltar atrás, talvez outros «pais «adoptivos» fizessem o mesmo, para não terem de chorar a Vanessa, ou o Edgar, ou muitos outros que não chegam às páginas dos nossos jornais.
Ana M
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