No próximo dia 11/2 irei votar SIM por uma questão de convicção, moral e solidariedade, saúde pública e de coerência:
1-Convictamente e, como todas as mulheres, não concordo com o aborto e desejava que nunca existisse, tal como gostaria que todas as crianças, dezejadas ou não, fossem amadas e estimadas. Porém, a realidade é bem diferente e o aborto existe e exis- tirá, seja qual for o resultado do referendo.Votar NÃO não salvará nenhum embrião.
A única consequência do NÃO será continuar a criminalizar as mulheres e levar a tribunal sobretudo as mais desprotegidas e, por isso, mais facilmente caídas nas malhas de uma lei injusta. Os nossos impostos continuarão a servir para pagar as despesas dos tribunais, das hospitalizações e das intervenções pelos abortos executados em condições precárias, na clandestinidade por quem não pode pagar uma boa clínica. Na prática, a lei de criminalização só afecta o sector mais desfavorecido da sociedade, com menos capa-cidade económica para ter muitos filhos, com menos conhecimentos de planeamento familiar e com menos dinheiro para abortar sem ser em condições precárias.
2- Por uma questão moral, porque segundo os meus princípios considero criminosa uma mulher que não abortou, mas abandona o seu filho ou o maltrata e considero assassinos da pior espécie pais que provocam a morte aos seus filhos – vítimas indefesas e silenciosas que a nossa sociedade não protege. Porém, não considero criminosa uma mulher que interrompe uma gravidez de 10 semanas porque não tem meios para sustentar mais um filho, ou porque foi abandonada pelo parceiro na sua condição mais vulnerável, sendo este o principal criminoso, embora nunca responsabilizado na nossa sociedade moralmente machista. No entanto, apesar de considerar os meus valores mais cristãos ( não acusar mas sim compreender ), respeito os valores morais dos defensores do NÃO, apenas gostaria que estes também respeitassem os meus e os de milhões de portugueses, não impondo a sua moral através do seu voto, mas guardando-a para si, pois o SIM não obriga ninguém a abortar.
3- Por uma questão de saúde pública porque o aborto clandestino, que é a verdadeira consequência prática do NÃO é um flagelo nacional que leva inúmeras mulheres
e adolescentes às urgências dos hospitais com danos graves para a sua saúde, por vezes pondo em risco a própria vida, e não esqueçamos que já houve casos mortais. Como médica, considero estes efeitos colaterais do NÃO um autêntico atentado à saúde e à vida humana. Para que serve manter uma lei que não é aplicável, não salva nenhuma vida e só tem consequências desastrosas?! Na clandestinidade, a mulher anda de aborto em aborto sem que alguma dessas parteiras se interesse por esclarecê-la acerca de planeamento familiar de forma a evitar abortos futuros.
4- Por uma questão de coerência, porque se consideramos criminosas mulheres que interrompem a gravidez às 10semanas com base no fundamento que estão a matar uma vida humana, que o é desde a concepção, teremos que considerar igualmente criminosas todas as que recorrem à gravidez «in vitro», pois com este método também matam muitas vidas – as dos embriões excedentários. No entanto, as clínicas para tal fim proliferam em Portugal, e nunca foram proìbidas ou provocaram incómodo aos defensores do NÃO, será que não consideram os embriões excedentários vidas humanas só porque são excedentários ou é porque os fundamentos morais são muito relativos e apenas se aplicam a alguns? Na realidade, segundo o mesmo princípio, tanto as mulheres que abortam como as que engravidam «in vitro» matam vidas humanas, embora por motivos diferentes, mas ambos justificáveis, a grande diferença é que as primeiras são maioritariamente de classes sócio-económicas desfavorecidas e recorrem a clínicas de «vão de escada» e as segundas são maioritariamente de classe média/alta e vão a clínicas creditadas e dispendiosas.
Para terminar, creio que ficará tudo hipocritamente na mesma, pois os defensores do NÃO irão virtualmente todos votar como numa cruzada do século XXI e muitos dos defensores do SIM, embora maioritários, não se darão ao incómodo de ir votar pois continuam a achar que é apenas um problema dos outros. No entanto, como seria útil que os defensores do SIM fossem menos egoístas e os defensores do NÃO dirigissem o vigor da sua cruzada não contra as mulheres, mas sim contra um sistema penal caduco que não protege as crianças que nasceram indesejadas e ficaram entregues à sua triste sina de sofrer as agruras de uma vida que não pediram. Uma cruzada que exigisse uma política de planeamento familiar mais eficaz e abrangente e educação sexual obrigatória em todas as escolas,com uma maior sensibilização dos adolescentes para as consequências da sua sexualidade. Estas seriam, sem dúvida as medidas mais eficazes para combater o aborto e tornar a nossa sociedade mais justa, menos incriminatória e mais solidária.
1-Convictamente e, como todas as mulheres, não concordo com o aborto e desejava que nunca existisse, tal como gostaria que todas as crianças, dezejadas ou não, fossem amadas e estimadas. Porém, a realidade é bem diferente e o aborto existe e exis- tirá, seja qual for o resultado do referendo.Votar NÃO não salvará nenhum embrião.
A única consequência do NÃO será continuar a criminalizar as mulheres e levar a tribunal sobretudo as mais desprotegidas e, por isso, mais facilmente caídas nas malhas de uma lei injusta. Os nossos impostos continuarão a servir para pagar as despesas dos tribunais, das hospitalizações e das intervenções pelos abortos executados em condições precárias, na clandestinidade por quem não pode pagar uma boa clínica. Na prática, a lei de criminalização só afecta o sector mais desfavorecido da sociedade, com menos capa-cidade económica para ter muitos filhos, com menos conhecimentos de planeamento familiar e com menos dinheiro para abortar sem ser em condições precárias.
2- Por uma questão moral, porque segundo os meus princípios considero criminosa uma mulher que não abortou, mas abandona o seu filho ou o maltrata e considero assassinos da pior espécie pais que provocam a morte aos seus filhos – vítimas indefesas e silenciosas que a nossa sociedade não protege. Porém, não considero criminosa uma mulher que interrompe uma gravidez de 10 semanas porque não tem meios para sustentar mais um filho, ou porque foi abandonada pelo parceiro na sua condição mais vulnerável, sendo este o principal criminoso, embora nunca responsabilizado na nossa sociedade moralmente machista. No entanto, apesar de considerar os meus valores mais cristãos ( não acusar mas sim compreender ), respeito os valores morais dos defensores do NÃO, apenas gostaria que estes também respeitassem os meus e os de milhões de portugueses, não impondo a sua moral através do seu voto, mas guardando-a para si, pois o SIM não obriga ninguém a abortar.
3- Por uma questão de saúde pública porque o aborto clandestino, que é a verdadeira consequência prática do NÃO é um flagelo nacional que leva inúmeras mulheres
e adolescentes às urgências dos hospitais com danos graves para a sua saúde, por vezes pondo em risco a própria vida, e não esqueçamos que já houve casos mortais. Como médica, considero estes efeitos colaterais do NÃO um autêntico atentado à saúde e à vida humana. Para que serve manter uma lei que não é aplicável, não salva nenhuma vida e só tem consequências desastrosas?! Na clandestinidade, a mulher anda de aborto em aborto sem que alguma dessas parteiras se interesse por esclarecê-la acerca de planeamento familiar de forma a evitar abortos futuros.
4- Por uma questão de coerência, porque se consideramos criminosas mulheres que interrompem a gravidez às 10semanas com base no fundamento que estão a matar uma vida humana, que o é desde a concepção, teremos que considerar igualmente criminosas todas as que recorrem à gravidez «in vitro», pois com este método também matam muitas vidas – as dos embriões excedentários. No entanto, as clínicas para tal fim proliferam em Portugal, e nunca foram proìbidas ou provocaram incómodo aos defensores do NÃO, será que não consideram os embriões excedentários vidas humanas só porque são excedentários ou é porque os fundamentos morais são muito relativos e apenas se aplicam a alguns? Na realidade, segundo o mesmo princípio, tanto as mulheres que abortam como as que engravidam «in vitro» matam vidas humanas, embora por motivos diferentes, mas ambos justificáveis, a grande diferença é que as primeiras são maioritariamente de classes sócio-económicas desfavorecidas e recorrem a clínicas de «vão de escada» e as segundas são maioritariamente de classe média/alta e vão a clínicas creditadas e dispendiosas.
Para terminar, creio que ficará tudo hipocritamente na mesma, pois os defensores do NÃO irão virtualmente todos votar como numa cruzada do século XXI e muitos dos defensores do SIM, embora maioritários, não se darão ao incómodo de ir votar pois continuam a achar que é apenas um problema dos outros. No entanto, como seria útil que os defensores do SIM fossem menos egoístas e os defensores do NÃO dirigissem o vigor da sua cruzada não contra as mulheres, mas sim contra um sistema penal caduco que não protege as crianças que nasceram indesejadas e ficaram entregues à sua triste sina de sofrer as agruras de uma vida que não pediram. Uma cruzada que exigisse uma política de planeamento familiar mais eficaz e abrangente e educação sexual obrigatória em todas as escolas,com uma maior sensibilização dos adolescentes para as consequências da sua sexualidade. Estas seriam, sem dúvida as medidas mais eficazes para combater o aborto e tornar a nossa sociedade mais justa, menos incriminatória e mais solidária.
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